A transição de MEI para ME (Microempresa) é um passo importante na trajetória de crescimento de muitos empreendedores brasileiros.
Mas como saber se esse é o momento certo? Quais fatores devem ser analisados?
Neste artigo, vamos esclarecer quando o MEI pode virar ME, o que isso significa na prática e como realizar essa mudança com segurança.
O que é MEI e o que é ME?
MEI – Microempreendedor Individual
O MEI é uma categoria simplificada voltada para trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores que faturam até R$ 81 mil por ano, possuem no máximo um funcionário e exercem atividades previstas na legislação do Simples Nacional.
ME – Microempresa
A ME é uma empresa com receita bruta anual de até R$ 360 mil e permite uma estrutura mais robusta, com possibilidade de contratar mais funcionários, escolher diferentes regimes tributários e exercer uma gama mais ampla de atividades econômicas.
MEI pode virar ME? Sim, e há momentos ideais para isso

A resposta é sim, o MEI pode virar ME. A legislação brasileira permite que o empreendedor faça essa migração a qualquer momento.
No entanto, existem situações em que a mudança é recomendada ou até obrigatória. Abaixo, detalhamos os principais cenários.
Quando o MEI deve virar ME?
Faturamento superior a R$ 81 mil por ano
Se o faturamento ultrapassa o limite permitido, o MEI deve se desenquadrar da categoria e passar a ser ME. Isso pode ocorrer de forma:
- Voluntária: o empreendedor antecipa o crescimento e decide se formalizar como ME.
- Obrigatória: quando o faturamento realmente excede o teto permitido.
Inclusão de novos sócios
O MEI é individual, ou seja, não permite sociedade. Ao incluir um sócio, o empreendedor obrigatoriamente precisa se tornar ME ou outro tipo de empresa (como LTDA).
Contratação de mais de um funcionário
O MEI pode ter apenas um colaborador registrado. Ao precisar ampliar a equipe, o enquadramento como ME se torna necessário.
Atividades não permitidas para MEI
A lista de atividades permitidas para MEIs é limitada. Caso o empreendedor deseje atuar em um novo segmento não autorizado, será necessário migrar para ME.
Vantagens de migrar de MEI para ME
Muitos empreendedores resistem à mudança por medo de mais burocracia ou tributos, mas há benefícios importantes em se formalizar como ME:
- Possibilidade de ampliar a operação com mais funcionários.
- Maior credibilidade no mercado com fornecedores e clientes.
- Opção de escolha entre regimes tributários: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Real.
- Acesso a linhas de crédito maiores.
- Participação em licitações públicas e projetos com empresas maiores.
Tabela: Diferenças entre MEI e ME
| Característica | MEI | ME |
| Faturamento anual | Até R$ 81 mil | Até R$ 360 mil |
| Número de funcionários | 1 | Até 9 (comércio/serviços) ou 19 (indústria) |
| Regimes tributários disponíveis | Simples Nacional (fixo) | Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real |
| Possibilidade de sócios | Não | Sim |
| Atividades permitidas | Limitadas pela legislação do MEI | Mais amplas, conforme CNAE permitido |
| Obrigações fiscais e contábeis | Simples | Mais complexas, com contabilidade obrigatória |
Passo a passo: como mudar de MEI para ME
1. Solicite o desenquadramento no Portal do Simples Nacional
Acesse www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional e solicite o desenquadramento. Isso pode ser feito por opção ou por obrigatoriedade.
2. Atualize o cadastro da empresa
Será necessário atualizar o cadastro na Junta Comercial, informando a nova natureza jurídica da empresa. Você pode optar por ME individual ou sociedade limitada, por exemplo.
3. Adeque a contabilidade
Como ME, é obrigatória a escrituração contábil. É fundamental contar com o suporte de um contador para manter todas as obrigações fiscais e contábeis em dia.
4. Escolha o regime tributário
A ME pode optar por continuar no Simples Nacional ou migrar para Lucro Presumido ou Lucro Real, dependendo do perfil da empresa. Um bom planejamento contábil faz toda a diferença nesta escolha.
MEI pode virar ME mesmo sem ultrapassar o faturamento?
Sim. A migração pode ser feita voluntariamente, mesmo que o limite de R$ 81 mil por ano ainda não tenha sido ultrapassado.
Isso acontece quando o empreendedor deseja ampliar a atuação, contratar equipe maior ou atuar em atividades não permitidas ao MEI.
Implicações tributárias da mudança
Ao sair do MEI, o empresário precisa estar atento às novas obrigações:
- Emissão de nota fiscal obrigatória para qualquer cliente.
- Necessidade de escrituração contábil completa.
- Pagamento de impostos conforme o regime escolhido (com alíquotas que variam entre 6% e mais de 15% dependendo do faturamento e atividade).
Por isso, é essencial realizar um planejamento tributário para evitar surpresas e manter a saúde financeira da empresa.
Quando vale a pena continuar como MEI?
Apesar das vantagens de se tornar ME, manter-se como MEI ainda pode ser vantajoso em alguns cenários:
- Quando o faturamento está muito abaixo dos R$ 81 mil/ano.
- O empreendedor não pretende ter mais de um funcionário.
- A atividade exercida é permitida dentro do regime MEI.
- Os custos de manter uma contabilidade formal seriam desnecessários diante do porte do negócio.
Planejamento é o segredo da mudança segura
Saber se o MEI pode virar ME é só o início do processo. A decisão deve ser tomada com base em dados reais da operação, projeção de crescimento, análise de riscos e planejamento tributário.
Muitas vezes, o apoio de uma contabilidade especializada evita erros, penalidades e escolhas que podem onerar desnecessariamente o negócio.
Dicas para quem está pensando em migrar de MEI para ME
- Converse com um contador para entender os impactos da mudança.
- Avalie o custo-benefício entre continuar como MEI e ampliar sua operação como ME.
- Esteja com as obrigações em dia antes de fazer a alteração.
- Use sistemas de gestão para acompanhar o crescimento do faturamento e tomar decisões com base em dados.
Conclusão: MEI pode virar ME – e isso pode significar um novo ciclo de crescimento
A mudança de MEI para ME não precisa ser vista com receio. Pelo contrário: ela representa o amadurecimento do negócio e a abertura para novas oportunidades.
Ao entender os sinais de crescimento, os limites legais e os passos para uma transição bem-feita, o empreendedor tem condições de dar esse passo de forma segura, organizada e preparada.
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